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ER6 - trabalho escravo

 

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Escravos do aço

Tempos modernos



Policiais federais investigam carvoaria em Dom Eliseu (PA).
Foto Sérgio Vignes/IOS

A fumaça arde os olhos e aperta a respiração. Nas carvoarias tudo é negro: a madeira queimada desenha nos homens uma armadura sinistra, uma camuflagem que os confunde com o próprio carvão que produzem. São como cavaleiros fantasmagóricos, escondidos pela cortina de fumaça que sai dos fornos, protegidos por senhores que os alimentam e os deixam dormir no curral.

Poderiam viver em qualquer tempo, talvez na Idade Média. Ou na época em que homens e mulheres eram caçados e atirados em porões negreiros. Nos tempos atuais, estão um tanto deslocados, não têm identidade, estudo, renda, liberdade. Não votam, não pagam impostos, não têm os direitos reconhecidos. É uma cena surrealista acompanhar uma libertação de escravos num dia comum de 2004.

Entram primeiro os carros da Polícia Federal. O carvoeiro que está no alto da pilha de madeira vê as camionetas avançarem pelo terreno em altíssima velocidade. Saltam homens com armas pesadas, fuzis, metralhadoras. Correm, ocupam o terreno, identificam pessoas armadas, paralisam a carvoaria. No terceiro e quarto carro chegam o pessoal do Grupo Móvel e do Ministério Público do Trabalho.

Da pilha de madeira, o carvoeiro imaginaria três alternativas: irão matá-lo, prendê-lo ou simplesmente deixá-lo em paz porque a bronca não é com ele. Mas ele erra o cálculo, nem imagina que está sendo libertado, que sua carteira de trabalho será assinada, que receberá uma indenização em dinheiro vivo. Acompanhar uma operação do Grupo Móvel deixa a sensação de que o problema pode ser erradicado, tamanha a organização e o empenho das pessoas envolvidas. (MC)

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Reportagem jornalística "Escravos do Aço", de Dauro Veras e Marques Casara, publicada na edição #6 da publicação Observatório Social Em Revista, do Instituto Observatório Social (junho de 2004).

 

Junho de 2004

Florianópolis-SC, Brasil

Uma publicação do Observatório Social