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Gerdau
O Grupo Guerdau preferiu não indicar ninguém
para conceder entrevista e enviou um texto por intermédio
da assessoria de comunicação. A íntegra da
nota é a seguinte:
"O Grupo Gerdau assumiu a administração
da Margusa em janeiro deste ano, um negócio que já
possuía contratos de longo prazo estabelecidos para o fornecimento
terceirizado de carvão vegetal, insumo para a produção
de ferro-gusa. Ressalta ainda que a acusação de violação
dos direitos trabalhistas foi feita para uma empresa prestadora
de serviços, o que não quer dizer que o Grupo Gerdau
não se sinta responsável pelo problema, apesar das
relações de trabalho terem sido estabelecidas antes
da sua atuação na Margusa.
"Para o Grupo Gerdau, o caminho mais fácil
para resolver a situação seria a interrupção
dos contratos. Entretanto, a decisão resultaria na paralisação
temporária da usina e na demissão dos funcionários
da Margusa e dos prestadores de serviços que trabalham na
região, ampliando a situação de precariedade
social.
"Diante dessa realidade, o Grupo Gerdau está
mudando as práticas de prestação de serviços
e conscientizando as empresas fornecedoras sobre a importância
do respeito aos direitos trabalhistas e à dignidade humana.
É um caminho longo e trabalhoso, cujos resultados não
são instantâneos, mas o Grupo Gerdau acredita que somente
desta forma será possível transformar a realidade
local. Este projeto deverá ser concluído no máximo
em 18 meses".
Queiroz Galvão
O diretor-presidente das siderúrgicas Simasa e Pindaré,
André de Oliveira Câncio, negou a existência
de trabalhadores escravos nas carvoarias. Segundo ele, o que existem
são irregularidades trabalhistas. Câncio prometeu resolver
o problema: "Até o final do ano não estaremos
mais envolvidos com isso. Estamos providenciando a regularização
de todas as carvoarias que prestam serviços para a empresa".
Câncio informou que em seis anos as siderúrgicas terão
alcançado a auto-suficiência na produção
de madeira, através de reservas florestais próprias,
o que evitará o relacionamento com carvoarias ilegais ou
que desmatam sem autorização dos órgãos
ambientais. Ele apresentou o balanço social das siderúrgicas
Simasa e Pindaré, que lista 10 compromissos. Nenhum está
relacionado ao trabalho escravo, apesar de preverem sanções
aos parceiros que usarem mão-de-obra infantil. Diz o terceiro
compromisso: "Alertar seus fornecedores de que uma denúncia
comprovada de trabalho infantil pode causar rompimento da relação
comercial".
Câncio disse que está pessoalmente empenhado na criação
do Instituto Carvão Cidadão, uma iniciativa de sua
autoria. No ante-projeto do instituto, o primeiro objetivo é
o seguinte: "Orientar, auxiliar e fiscalizar todas as atividades
relacionadas com a cadeia de produção do carvão,
inclusive o fornecimento às indústrias siderúrgicas
dos estados do Maranhão, Pará ou Tocantins; como seus
beneficiários finais; com vistas ao cumprimento da legislação
trabalhista e demais normas de proteção à segurança
e à saúde do trabalhador, e à preservação
do ambiente de trabalho". O diretor disse que o instituto estará
em funcionamento até o final do ano e não sofrerá
influência das siderúrgicas.
Companhia Vale do Rio Doce
A empresa responde por intermédio do gerente de relações
com a imprensa, Fernando Thompson, e da presidente da Fundação
Vale do Rio Doce, Olinta Cardoso.
Thompson informou que o grupo emprega 60 mil pessoas, se forem considerados
os prestadores de serviço. "Todos têm carteira
assinada. A Vale tem por norma não apenas trabalhar com carteira,
como também exige dos seus prestadores de serviço
a carteira assinada", diz ele.
Sobre a relação comercial com as siderúrgicas
acusadas, Thompson esclarece: "A Vale é a única
produtora de minério de ferro da região. Temos contratos
e temos que respeitar esses contratos. Se a Vale não vender,
pode ser penalizada pelos órgãos de defesa da concorrência".
Ele diz que não cabe a empresa, mas ao Ministério
do Trabalho, fiscalizar o relacionamento das siderúrgicas
com as carvoarias. "Hoje, não basta apenas ter um produto
de qualidade a preço baixo. Ele precisa ser socialmente responsável".
A presidente da Fundação diz que a empresa está
fechando uma parceria com o Tribunal Superior do Trabalho para se
associar a ações para a erradicação
do trabalho escravo. "Temos que buscar ações
que vão além do discurso. Reconhecemos o problema
e vamos trabalhar principalmente em campanhas de conscientização".
A Vale atuará junto às crianças que fazem
parte de seus projetos sociais, com o intuito de que tornem multiplicadoras
de informações para as famílias. Também
trabalhará nos cursos de alfabetização de adultos
mantidos pelo grupo. "Não podemos ficar distantes desse
problema", avalia. "As pessoas não vão para
os locais sabendo que serão escravizadas. Temos que conscientizá-las
para que tenham noções sobre seus direitos. Elas são
aliciadas e precisam ter a consciência de que podem exigir
seus direitos". Segundo Olinta Cardoso, até 2007 a Vale
vai ter alfabetizado 118 mil pessoas.
Nucor
O vice-presidente executivo da Nucor Corporation, John Ferriola,
respondeu por e-mail. A íntegra da mensagem é a seguinte:
"Nós recebemos a sua carta e agradecemos a preocupação
que expressaram em relação às alegadas práticas
de trabalhoimpróprias no Brasil.A Nucor possui sólida
reputação de ser uma empresa que valoriza seus funcionários
acima de tudo. Como os senhores devem saber, os funcionários
da Nucor se encontram entre os mais bem remunerados da indústria
do aço. Nós entendemos que funcionários contentes
e produtivos são a chave para o sucesso de nossa empresa.
Temos muito orgulho das pessoas que trabalham conosco e achamos
que, através do tratamento justo e igualitário que
lhes damos, teremos um grande retorno.
"A Nucor é uma produtora de, entre outras coisas, laminados
planos de aço e aço estrutural. Uma das matérias-primas
que usamos na produção destes itens é o ferro
gusa. Nós empregamos uma quantidade significativa deste produto
e o compramos de todas as partes do mundo. A Nucor não compra
ferro gusa diretamente das empresas mencionadas em sua carta. Nós
compramos todo o nosso material através de terceiros. Não
estamos cientes das acusações mencionadas pelos senhores
e de forma alguma permitimos ou apoiamos o uso de trabalho escravo.
Isto fica evidente pela maneira como tratamos nossos funcionários.
"O preço que pagamos pelo nosso ferro gusa é
razoavelmente consistente e competitivo entre todas as nossas fontes,
localizadas em numerosos países do mundo inteiro. Nós
não temos conhecimento das práticas de trabalho de
nenhum dos nossos fornecedores de matéria-prima, mas acreditamos
firmemente que todas as empresas deveriam utilizar práticas
de trabalho justas e igualitárias. Agradecemos sua preocupação
e esperamos ter esclarecido algumas das dúvidas que os senhores
possuíam em relação à Nucor Corporation."

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Reportagem jornalística
"Escravos do Aço", de Dauro Veras e Marques Casara,
publicada na edição #6 da publicação
Observatório Social Em Revista, do Instituto Observatório
Social (junho de 2004).
Junho de 2004
Florianópolis-SC, Brasil
Uma publicação do Observatório
Social
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